Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

A Toscana e o Eyjafjallajokull (II).

 

A ida para Cinque Terre foi muito demorada, especialmente quando pensamos na curta distância entre Pisa e as cinco terras do norte. O comboio estava cheio de gente, especialmente locais, facto que me agradou bastante. Cheguei a La Spezia, esperei algum tempo, troquei de comboio e, poucos minutos depois e chegava a Riomaggiore: a mais sulista das cinco aldeias.

Lembro-me que mal sai do comboio senti-me num autêntico cenário de um qualquer filme italiano independente. Tudo é pequeno, as casas com um patine de séculos, são de uma homogeneidade de cores quentes que hipnotizam. Senti-me como se tivesse viajado no tempo para um lugar perdido, que não compreende nem conhece o turismo de massas, a globalização, o terrorismo, enfim, um lugar real sem fachadas, sem reconstruções, sem imitações.

Estava delirante e deveras orgulhoso por ter decidido visitar Cinque Terre nessa tarde. Entrei numa dezena de cafés, de mercearias e de padarias. Muitas vezes só para ver e apreciar a beleza daquele lugar.

Confesso que já não sei se ainda estou em Riomaggiore, ou se já estou em Manarola, ou mesmo em Vernazza. Lembro-me de pouco ter olhado para o relógio e o tempo passava de forma assustadora, tal era o prazer que tinha em estar em Cinque Terre. É certo que as cinco terras são demasiado similares para que com a distancia do espaço e do tempo consigamos distingui-las com perfeição. Mas, a verdade é que as suas gentes são como se esperaria rivais à sua dimensão, qual rivalidade milaneses VS romanos.

Ia com a recomendação de pagar a um pescador para me deslocar de aldeia para aldeia, mas infelizmente, e, particularmente pelo preço, desisti rapidamente da ideia. Assim, contrariei a minha preguiça e caminhei de aldeia para aldeia pela Via dell'Amore: o único caminho possível a pé. Um caminho único e sem dúvida um dos pontos altos de Cinque Terre.

Pela primeira vez tive que olhar para o vintage Casio, afinal, não podia perder o último comboio para La Spezia e depois para Pisa. Contudo, antes ainda tive tempo para jantar. Escolhi um tasco escondido e muito recôndito em Manarola. Uma pizza. Barata e divinal. Um lambrusco. Gelado, familiar e sempre típico. Eram horas do comboio. A viagem correu normalmente, até ao momento em que um grupo de americanas rosadas do sol olha para mim, e uma delas diz: "Oh my God, the italian guys are fucking hot, I've to fuck lots of them while I'm in Italy". Na altura nem sei porque é que não respondi. Eu que acho um "piadão" a estes piropos fáceis. E confesso que hoje me arrependo de não o ter feito. Paciência.

Depois de mais uma longa maratona dentro do comboio e depois de trocar em La Spezia, cheguei finalmente a Pisa, e, não tinha a melhor das notícias à minha espera.

 

Continua.

De Gonçalo Dorotea Cevada às 02:10
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Carimbos.:
De tiago freitas a 22 de Julho de 2011 às 14:24
muito bom...espero a continuaçao...


De Gonçalo Dorotea Cevada a 23 de Julho de 2011 às 17:30
Obrigado!


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