Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

De volta.

Depois de quase dois meses de férias, voltamos a uma espécie de "rotina" de crónicas. Pelo menos, vão continuar a fazer-nos sonhar com as próximas férias.

De Gonçalo Dorotea Cevada às 11:51
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Sábado, 23 de Julho de 2011

Porto Rotondo, quase, algumas horas.

 

 

 

De Gonçalo Dorotea Cevada às 18:09
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

A Toscana e o Eyjafjallajokull (II).

 

A ida para Cinque Terre foi muito demorada, especialmente quando pensamos na curta distância entre Pisa e as cinco terras do norte. O comboio estava cheio de gente, especialmente locais, facto que me agradou bastante. Cheguei a La Spezia, esperei algum tempo, troquei de comboio e, poucos minutos depois e chegava a Riomaggiore: a mais sulista das cinco aldeias.

Lembro-me que mal sai do comboio senti-me num autêntico cenário de um qualquer filme italiano independente. Tudo é pequeno, as casas com um patine de séculos, são de uma homogeneidade de cores quentes que hipnotizam. Senti-me como se tivesse viajado no tempo para um lugar perdido, que não compreende nem conhece o turismo de massas, a globalização, o terrorismo, enfim, um lugar real sem fachadas, sem reconstruções, sem imitações.

Estava delirante e deveras orgulhoso por ter decidido visitar Cinque Terre nessa tarde. Entrei numa dezena de cafés, de mercearias e de padarias. Muitas vezes só para ver e apreciar a beleza daquele lugar.

Confesso que já não sei se ainda estou em Riomaggiore, ou se já estou em Manarola, ou mesmo em Vernazza. Lembro-me de pouco ter olhado para o relógio e o tempo passava de forma assustadora, tal era o prazer que tinha em estar em Cinque Terre. É certo que as cinco terras são demasiado similares para que com a distancia do espaço e do tempo consigamos distingui-las com perfeição. Mas, a verdade é que as suas gentes são como se esperaria rivais à sua dimensão, qual rivalidade milaneses VS romanos.

Ia com a recomendação de pagar a um pescador para me deslocar de aldeia para aldeia, mas infelizmente, e, particularmente pelo preço, desisti rapidamente da ideia. Assim, contrariei a minha preguiça e caminhei de aldeia para aldeia pela Via dell'Amore: o único caminho possível a pé. Um caminho único e sem dúvida um dos pontos altos de Cinque Terre.

Pela primeira vez tive que olhar para o vintage Casio, afinal, não podia perder o último comboio para La Spezia e depois para Pisa. Contudo, antes ainda tive tempo para jantar. Escolhi um tasco escondido e muito recôndito em Manarola. Uma pizza. Barata e divinal. Um lambrusco. Gelado, familiar e sempre típico. Eram horas do comboio. A viagem correu normalmente, até ao momento em que um grupo de americanas rosadas do sol olha para mim, e uma delas diz: "Oh my God, the italian guys are fucking hot, I've to fuck lots of them while I'm in Italy". Na altura nem sei porque é que não respondi. Eu que acho um "piadão" a estes piropos fáceis. E confesso que hoje me arrependo de não o ter feito. Paciência.

Depois de mais uma longa maratona dentro do comboio e depois de trocar em La Spezia, cheguei finalmente a Pisa, e, não tinha a melhor das notícias à minha espera.

 

Continua.

De Gonçalo Dorotea Cevada às 02:10
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Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

A Toscana e o Eyjafjallajokull (I).

 

Esta fora sem dúvida a viagem mais imprevisível, menos programada, e sem dúvida uma das melhores que fiz. Pelos lugares, pelo grupo, pela imprevisibilidade, pelas vivências, enfim, pela loucura daquilo que era suposto se limitar a um fim-de-semana (alargado), e que no final acabou por ser mais de uma semana.

Comprei o vuelo Vueling com meses de antecedência e em Abril de 2010, descolei de Barcelona com a cabeça já na Toscana. No início ia sozinho, depois convenci o Boris, um new yorker com passado em Moscovo que vivia comigo em Barça para vir passar o fim de semana em Florença, entretanto numa fiesta Erasmus convenci o João, a Inês, a Xana e a Julia Malmo, uma grande amiga de Vancouver. Grupo fechado. Eu ia sozinho no avião da manhã de El Prat, todos eles iam no avião da noite de Girona.

Por feitio cheguei, como sempre, muito atrasado ao aeroporto. A furar filas, a fumar um cigarro em 15 segundos, a treinar para as maratonas de velocidade, enfim, entrei no avião e só descolámos uma hora depois do previsto. Era um indício típico de uma quase tragédia clássica. Depois de pouco mais de 90 minutos aterrei em Pisa. Ainda era cedo e eu só tinha que estar à meia noite em Florença. Fui ao Termini de Pisa e deixei a minha mala nos cacifos da estação. Estava pronto para descobrir o tão afamado charme toscano. Vagueei algum tempo pelas vias de Pisa, comprei uns Ray Ban, fiz algumas experiências fotográficas, fiz dezenas de poses circenses em frente e ao lado da Torre de Pisa, deliciei-me com uns carpaccios, visitei algumas galerias, enfim.

Pisa é uma cidade simpática, mas não passa disso. Parece que vive exclusivamente do conhecido erro de engenharia da Torre e pouco mais. É uma cidade que faz as delícias daqueles que viajam na procura incessante por lugares comuns. Pisa é demasiado turística e perde por isso. A praça que serve de plateia à Torre é um verdadeiro amontoado de autocarros turísticos, e os muitos turistas que visitam Pisa, na verdade não visitam a cidade, perdem meia hora a competir sobre quem tem as poses mais audazes e mais típicas com a Torre. Param diante da Torre e ciao!

Enquanto almoçava decidi ir passar a tarde e Cinque Terre. Cinque Terre era um lugar que para mim, era completamente desconhecido até alguns amigos me terem recomendado. E, aliás, a expectativa que tinha não era muita. Almocei, paguei, e fui a correr para a estação para não perder o comboio para La Spezia. Aquilo que me esperava era um lugar único e com todo o cliché do charme italiano mediterrânico.

 

Continua.

De Gonçalo Dorotea Cevada às 16:47
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Quarta-feira, 20 de Julho de 2011

Roma e o "caos calmo".

 

Roma. Roma é porventura uma das cidades com mais sinónimos e nomes porque é conhecida: "cidade eterna", "cidade das colinas", enfim. Apetece-me reviver Roma, por isso escrevo. Fui hoje ao cinema ver Gianni e le Donne, do realizador Gianni di Gregorio. E fiquei cheio de vontade de antecipar as minhas férias, e ir reviver Roma.

Já estive várias vezes em Roma e nunca me fartei, nunca me cansei. Há sempre um novo museu, há sempre um par de ruas e ruelas novas, há sempre restaurantes diferentes, há sempre outros aperitivos, enfim, tem sempre a Piazza di Spagna e o sedutor Trastevere.

Roma é porventura uma das cidades que melhor preserva o encantador do antigo com o cosmopolitismo da contemporaneidade. Roma é concerteza o lugar no mundo do "caos calmo". Na última vez que estive em Roma, estava alegremente a sair de Trastevere para apanhar o autocarro para o Hostel, para os lados de Termini, e conheci uma família muito pouco típica. Era uma família autenticamente hippie e eu estava encantado a ouvir as suas histórias. E, no meio de milhares de lugares e de vivências, o pai de longas barbas que parecia um mostruário de fios indianos e pulseiras marroquinas diz: "Como não se pode vibrar com Roma?! Roma é a Babilónia! É o centro do Mundo!". Um tipo aparentemente alternativo e alheado de qualquer massa humana globalizada, faz este elogio à capital italiana, uma cidade que na sua lógica sofria de males comuns a qualquer grande città. Gostando ou não do estilo e da forma, tal era uma verdade para mim na altura, verdade essa que ainda hoje me faz vibrar com Roma.

Roma e os romanos, aliás como quase todos os italianos são sobretudo reivindicativos mas genuinamente orgulhosos. Tenho saudades das ruas irregulares, das buzinas das Vespa, da gritaria nas ruas, dos gelados e cafés, dos Campari e das bellas ragazzas romanas. Apetece-me entrar no primeiro avião que vá para Roma amanhã. São naturalmente intenções que, não passarão disso mesmo.

 

 

 

(Em futuros textos sobre Roma, dedicarei crónicas detalhadas sobre cada um dos bairros que recomendo).

De Gonçalo Dorotea Cevada às 03:17
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Terça-feira, 19 de Julho de 2011

Leituras em tempos de crise.

 

 

 

 

Algumas das minhas leituras de Verão. Invejosas, mas verdadeiros cultos e, simultaneamente analgésicos mentais para esquecer autores como Antunes Varela, Orlando Carvalho ou Figueiredo Dias.

De Gonçalo Dorotea Cevada às 18:13
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Machu Picchu, a consequência dos Marlboro (II).

 


O tempo que os "gurus" previram confirmava-se. Estava nublado, e a ameaça de uma tempestade tropical era uma constante. Eu protegia-me com um pedaço de plástico preto e acompanhava os ainda bem dispostos que, como eu iam confiando nas placas que iam diminuindo o tempo e a distância. Subia, descia, blocos de granito que se fingiam de degraus, subia, descia, amontoados de pedras que se seguiam uns aos outros sem simetria alguma pensada. Tinham-me "vendido" um tempo de percurso, que, no meu caso, ficou muito aquém do tempo que fiz de caminhada. Várias vezes pensei voltar para trás, várias vezes estive tentado a desistir, contudo, desistir nunca foi verbo que admirasse e fui até ao topo. Pelo caminho fiz alguns amigos: em comum tínhamos o suor na cara e os pulmões aos gritos.

Depois de três horas cheguei ao cume de Huayna Picchu. Estava derrotado. Deitei-me uma hora no chão. Aquilo que via era inacreditável, todo aquele nevoeiro, todo aquele verde, todas aquelas montanhas e braços de água doce, era o troféu, era a medalha merecida pelo fim do caminho. Por momentos pensei qual terá sido o primeiro pensamento ou a primeira sensação que os primeiros seres humanos tiveram quando ali chegaram pela primeira vez.

Já recuperado, comecei o caminho de volta. E, mais uma vez subestimei a natureza. O regresso fora tão duro como a ida, os supostos degraus estavam mais escorregadios do que nunca e a sucessão de quase quedas era uma constante. Quase no fim, encontrei o Manel e o João ainda inundados pela motivação inicial. Continuei até ao fim. Era meio dia e fui almoçar. Uma hora depois juntei-me aos turistas e ao guia turístico para a visita guiada às ruínas de Machu Picchu. Vinte minutos depois desisti. O guia era de uma vacuidade estúpida, não contou nada de novo, enfim, assumi o papel de "patinho feio" e sai da manada. Andei a vaguear algum tempo entre as ruínas e, à hora combinada com o Manel e com o João encontrámo-nos na pedra que serve de poltrona a um dos cenários mais fotografados do Mundo. Tirámos dezenas de fotografias, os três, cada um, sentados, em pé, enfim. Durante alguns minutos servimos de mascotes a um grupo de japonesas hi-tech que estavam encantadas com o nosso charme mediterrânico. Era o fim de um longo e inesquecível dia. Depressa voltámos a Águas Calientes, não podíamos perder o último inca rail de regresso a Cuzco.

 

Machu Picchu não me impressionara pela arquitectura da cidade perdida ou pelas ruinas, aliás, quanto a estas arrisco-me a afirmar que são uma desilusão, Machu Picchu impressiona pela envolvente natural que serve de cenário a esta maravilha, pelo contexto natural em que se insere e também por isto é um dos 1001 lugares a visitar uma vez na vida.

De Gonçalo Dorotea Cevada às 16:23
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2011

Machu Picchu, a consequência dos Marlboro (I).

 

Comemoraram-se à alguns dias os cem anos da descoberta de Machu Picchu pelo explorador norte-americano Hiram Bingham III. E, há cinco meses estive pela primeira vez em Machu Picchu. Foi um dos pontos altos do "mochilão", o último capítulo e o último lugar comum da aventura de dois meses pela América do Sul. O ponto de partida fora Águas Calientes, um pueblo com meia dúzia de ruas, onde, em cada uma delas, comerciantes gritavam uns mais alto do que os outros, atropelando-se nas palavras e na gramática, numa tentativa permanente de venderem o "seu peixe": desde recuerdos, a pratos combinados com oferta de bebida, a sexo, passando por visitas guiadas à Maravilha do Mundo. Um lugar perdido entre as montanhas e a selva peruana que apenas serve de sleeping point, para os turistas que como eu esperam impacientemente pela madrugada seguinte.

Ao chegarmos a Águas Calientes, tínhamos à nossa espera uma peruana muito sorridente. A praxe. Mais um dia, mais turistas, mais fábrica de sorrisos e simpatia. Estão todos tão, digamos, "treinados" a receber cordialmente ocidentais que parece que quando lhes cortaram o cordão umbilical, em vez dos primeiros gritos de vida, expressaram-se com os primeiros sorrisos de vida. Lá chegámos à Pensão. Em pleno epicentro turístico e comercial do pueblo, logo nos apressámos a fazer o check-in, e a procurar alguma mercearia que nos matasse a fome, e para não voltar a tê-la no longo dia que nos esperaria em Machu Picchu. Estávamos os três muito cansados. Eu fui o primeiro a ir dormir, coisa rara ao longo da viagem.

Às 4h da manhã, acordara com a insistente ajuda do despertador do BlackBerry, e não queria acreditar: primeiro que tinha dormido muito pouco e, segundo que finalmente chegara o tão esperado dia, o dia de Machu Picchu. Pode parecer horário de fanático mas as circunstâncias assim nos obrigaram. O Manel e o João tinham escolhido o caminho mais duro, mais cansativo mas, sem dúvida o mais corajoso. Eu escolhi o caminho contrário. Eles, pontualmente às 5h da manhã estavam à porta das portas que teimavam em abrir do caminho pedestre que subia até Machu Picchu. Tinham 1h para lá chegar. Eu, pontualmente às 5h30m da manhã estava à espera do autocarro que me levaria a Machu Picchu. A mim e outras centenas de aparentes fotógrafos profissionais que orgulhosamente e em punho exibiam as últimas tecnologias em câmaras fotográficas. A autêntica viagem dos preguiçosos. Depois de vinte minutos, lá chegámos finalmente. Eram quase 6h da manhã e as portas mais uma vez demoraram a abrir. Felizmente e por sorte, ainda consegui estar entre os duzentos primeiros exploradores a chegar a Machu Picchu. Número que me permitia subir a Huayna Picchu. Já tinha o meu número de acesso, e nisto encontro o Manel e o João. Satisfeitos mas derrotados pelo caminho audaz que tinham percorrido. Eu ia no grupo dos cem das 7h da manhã, eles iam no grupo dos cem das 10h da manhã. Caminhei calmamente até à entrada do caminho que me levaria a Huayna Picchu. Fumei um cigarro e dei o primeiro passo. Não fazia a menor ideia do que me esperava e subestimei as circunstâncias e o próprio contexto. Fora sem dúvida o mais duro caminho que fiz.

 

Continua.

De Gonçalo Dorotea Cevada às 16:18
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Sábado, 9 de Julho de 2011

Hawaii em Ofir.

 

A passar o fim-de-semana em Ofir, um reduto que nos transporta para os charmosos anos 50.

De Gonçalo Dorotea Cevada às 20:37
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2011

Obrigado, FUGAS.

Salar de Uyuni, Bolívia, Fevereiro de 2011 

 

Num blog sobre viagens como é este, justifica-se e impõe-se agradecer ao "Fugas" (caderno de viagens do "Público") e à equipa do "Global Challenges" o prémio que me foi atribuído ontem no âmbito de um concurso fotográfico sobre "Aventura e Natureza". Aqui se regista o meu agradecimento e o meu muito obrigado.

Quero ainda elogiar os restantes nove finalistas pelas fantásticas fotografias que apresentaram. Num país em crise, e num contexto particularmente deficitário quando falamos de criatividade e talento, este concurso e as fotografias de muitos dos que nele participaram contrariam tal tendência, contrariam tal "sina lusa" que se vive nos últimos anos.

Deixo o repto, desafiando a equipa do "Fugas" para criarem mais concursos e mais projectos onde se promova e desenvolva algo tão importante nos dias de hoje: não olhar e registar apenas aquilo que se vê, mas reflectir e deixar que aquilo que vemos nos torne cidadãos com mais Mundo.

Obrigado.

 

(a fotografia em cima foi a vencedora do concurso, e é da minha autoria).

De Gonçalo Dorotea Cevada às 13:09
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goncalo.cevada@gmail.com
 

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